O sol se põe sob a porta.

Com toda a evidência algo se acaba mas como saber o quê? se fosse o dia seria simples, mas de uma simplicidade exterior, só implicado gestos : a lâmpada, o fechar das portas, a cama.

Não pode ser isso.

Procuro um índice no sol, na poça de sol posto diante da porta, que já se agita, se retira.

Morrer? não creio. morrer além disso não seria um acabamento. pelo menos para mim.

Algo que está no fim, bem próximo, ao sol posto sob a porta, não conseguiria saber o quê.

Não tentarei sabê-lo. o sol apagado, a noite prevenida de seu fim, eu me levantarei, fecharei as portas, as lâmpadas, a cama.

Houve um tempo em que eu não teria deixado perder-se o sentido de nenhum fim interior. eu teria ficado na noite, nas mãos na noite, as palavras.

Agora, está vindo um fim, renuncio.



jacques roubaud. algo : preto.

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