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Mostrando postagens de Abril, 2016
<< Escrever como questão do escrever, questão que porta a escritura que porta a questão, não te permite mais a relação com o ser – entendido primeiro como tradição, ordem, certeza, verdade, toda forma de enraizamento – que tu recebeste um dia do passado do mundo, domínio que tu eras chamado a gerir a fim de com ele fortalecer teu << Mim >>, mesmo que este estivesse como que fissurado, desde o dia em que o céu se abriu sobre seu vazio.>>
Maurice Blanchot (O passo além) em O LIVRO DAS MARGENS, de Edmond Jabès.
- O que é falar, então, nessas aleias trapaceadas; face a esses lagos jogadores? O que é falar, de verdade, nesses âmagos lamacentos; nesse inferno do verbo e dos precipícios?

O silêncio é sangue seco da chaga.

Edmond Jabes. O LIVRO DAS MARGENS.
"Tudo se come, tudo se comunica, tudo, no coração, é ceia."
Que coincidência esses versos fundos bem hoje em que eu ruminava isto:
Eu não sei se isto me torna mais forte ou mais franco. Também não é desejo de tomar os mesmos bondes. Os bondes passam... Mas, de quando em quando, penso emocionalmente nas mulheres com as quais tive histórias mais ou menos longas; às vezes, brevíssimas. Não há dúvida de que o bom e o ruim se manifestaram na mesma medida.
No entanto, coisa estranha, lembrar-me dos fatos ruins não faz destilar nenhum amargor. Como se tal espécie de memória tivesse se objetivado e se tornando inofensiva; olho para elas e são como pontes ou carros. Mas quando me tomam as boas recordações, os pequenos detalhes de distinção, os lapsos de brilho e de fulgor, sinto-me imerso em um formigamento bom... E tento sumarizar esse passado positivo, catalogá-lo. Mas é impossível. Tudo se mistura e me vejo mergulhado e confuso no acúmulo de mim mesmo...