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Mostrando postagens de Setembro, 2015
<< Há um sentido da palavra que conduz a um outro sentido, o qual conduz a um terceiro que nos faz entrever que estamos ainda na soleira da palavra. << Esgotar todos os sentidos da palavra em um só, tal é a tarefa do escritor >>, dissera ele. No Tudo, há a desagregação do Tudo assim como, no ser, há o fatal esfacelamento do ser. Qual porvir para isso? Sim, o que, no fim das contas, se perpetua?
Edmond Jabes, “O livro das margens”, Lumme Editor, 2014.
--> --> Entre escarpas, o homem percorre caminhos que ele reputa difíceis. Sucedem-se pedras e a água avança límpida. Erguem-se enormes paredes de pedra, desafiadoras. O homem reputa incrível que ali, entre as pedras, também cresçam árvores que se equilibram e servem de abrigo a pássaros - na boca do abismo, pende um ninho. Um bando de pássaros risca em balé o vácuo do cânion. O homem se desequilibra, tomando pela vertigem e a vergonha. Com seu olhar, ele quer dominar a paisagem. Com seus adjetivos, ele não compreende nada.