Prosa poética 11


Quase 700 quilômetros de viagem. Perceber a transição do solo e das vegetações. Solos vermelhos, escuros. Ver o verde refletindo o sol. Perceber as árvores mais baixas, de troncos retorcidos, mas de um verde agrupado e vivo. O olhar ganha musculatura e a paz forte dos cavalos selvagens. O mundo e suas sucessivas escamas. Ao longo de todo esse percurso, na companhia de imensidões, de verdes, de silêncios, senti-me bem. O único momento de desconforto foi ao passar pelas entranhas, pelos fundos de uma grande cidade. Carcaças de carros, de coisas. Fuligem. A excreção da exuberância vizinha, de áreas "nobres" mais para dentro. Senti-me co-autor de algum crime. Desigualdades, desequilíbrios. O homem é mesmo um invasor, um estrangeiro no mundo. Deve urgentemente rever seu papel, sua maneira de estar aqui.

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