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Mostrando postagens de Setembro, 2014

poema 195

Penso em árvores espalhadas por grandes campos, largos campos, vastas extensões. Os sons do vento e do mar em aberto embate, em confronto franco. O verde quase toca o azul. A brisa marinha penetra os troncos e serve à seiva. Casas esparsas brotam como tocos da terra. A energia circundante situa. Sente-se como uma flor identificada, como um tronco em riste, como uma grande rocha. A neblina branca une. Nessa trama, o homem sente o esqueleto preenchido de carne. Animal entre animais e coisas. Respeita o cascalho em que pisa: ruído quase sagrado. Adora tudo o que vê: consciência do Divino. Respira em estado de graça: a Vida nos pulmões.

Olhos azuis

Metrô

"O cara que fez isso não deve ter pensando que aqui ia passar gente” Foi a frase que ouvi de um dos espremidos como eu no corredor que ligava a linha amarela à verde do metrô. Essa é uma maneira divertida de olhar para a situação. Mas a maioria das pessoas tinha um olhar cansado e emburrado, embora ainda estivesse indo para seus trabalhos.
Caminhávamos extremamente devagar, passos de tartaruga. Um grande e lento fluxo humano se esgueirava por um cumprido corredor. Eu podia ver bundas e peitos e pernas e braços. Podia ver nucas e carecas e cabelos sebosos. Golas puídas, golas desfiadas. Interiores de sacolas, capas de livros. Uma centena de detalhes dos mais diversos à minha disposição. Eu me sentia poderoso e sorridente. Mas de repente eu me lembrei de que eu mesmo teria essa feição inerte, de um simples corpo que anda, para outras pessoas. Uma lâmina de observação ambulante. Desconhecidos que, forçadamente próximos, perceberiam detalhes meus ignorados por mim mesmo. Eles veriam …