Sobre a invenção das coisas...

Começando com Rainer Maria Rilke, Réquiem para um poeta, extraído de Ibáñez Langlois, José Miguel, “Rilke, Pound, Neruda: três mestres da poesia contemporânea”.

Oh velha maldição dos poetas
que se queixam quando devem dizer;
que sempre opinam sobre seus sentimentos
em lugar de formá-los, e supõem
que quanto neles seja triste e alegre
saberiam e poderiam em poemas
chorá-lo ou festejá-lo. Como enfermos
convertem em lamento sua linguagem,
para dizer onde lhes dói, em vez
de se transformarem, duros, em palavras,
como o canteiro de uma catedral
transforma-se na calma da pedra...

E agora Nelson Cavaquinho:

...
Se eu sorrir
Meu pranto nunca virá
Se eu cantar minha alegria virá
Hei de resistir esta paixão
Que me domina
Chega de chorar
...


O homem se transforma na linguagem que toma para si, no discurso que elabora.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Cap. 68 - O Jogo da Amarelinha