prosa poética 9

Acordo com infinitos cacos de sonhos misturados. Pela cabeça espalhados. A cada passo dado na confusão do quarto, cambaleante, um novo trecho se define, fixa-se diante de um rastro de luz da consciência recém-desperta. Alguém me trouxe duas camisetas, uma azul, outra preta, que me vestem bem. Você me mandou uma foto sua – é impressionante: sua beleza já se transformou em matéria de meus sonhos. Passei por uma frutaria e as bananas me pareceram caríssimas. Fiz-me diretor de futuras cenas nossas e ainda nada, nada aconteceu. O vento, vejam só, percebam bem, o vento é uma força poderosa, embora invisível, embora informe. Move, constrói, destrói. Portanto, não duvidem: em algum lugar, de alguma matéria que desconhecemos completamente, elabora-se a força que de repente nos invade em silenciosa violência e, percorrendo os ocos de nossos corpos, nos faz mover como marionetes. 


Querida, querida... Você percebe que já se agitam meus dedinhos infantis para você?

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