prosa poética 7

Em uma savana africana, os olhos de um elefante brilham no céu e a lua está por todas as partes. O vento é forte e se faz ouvir. Nas ranhuras das longas peles do enorme animal, pequenas formas de vida se aninham. A noite desce sólida. Nada vence o escuro.
Águas paradas consagram a calma - Pequenos insetos realizam milagres sobre sua superfície.
A pedra é pura paciência. Indecifrável.
A terra em farelos é o Todo espalhado.
O leão avança em salto. Que decisão o anima? Nenhuma; pergunta humana. A origem dos movimentos é secreta. Tudo é espanto. Pleno acontecimento.
O leão não se indaga, a seiva não se indaga.
Os ruídos existem, são quase concretos. O grito dos insetos escondidos se aproxima como se fosse a própria noite. Todas as coisas, independentemente do tamanho, parecem ter a mesma potência. É  a vida aqui e ali.
Um estouro seguido de calmaria. O olhar animal não retém o momento. A teia da aranha retém apenas o alimento.
Aqui não se faz farinha do vazio.

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