poema 237

Eu estava pensando sobre o Amor
Pra variar
Entre goles e passos
Eu tentava concluir algo
Depois de mais um fracasso
Por que eu não quis ver mais a C.
Depois da primeira vez?
Boa conversa
Sem amolações
Sem aspirações
Mas eu não tinha como controlar meu corpo
Que não recebeu o corpo dela cem por cento
E eu sabia que não me orgulharia dela cem por cento
Nos bancos de metrô, nos bares
E não ser cem por cento no Amor
É a pior das misérias
Já há tantos mais ou menos entulhando a vida

E então me lembrei de J.
Eu conseguiria dizer que a amei
Sim, Deus sabe como eu conseguiria
O que me faz acreditar
Pelo menos
Que nem tudo está perdido
E que os cometas existem
Mas eu preciso entender o mecanismo
O mecanismo básico
Pra que a coisa se repita
Porque ela passou... A J. se foi...

Tento lembrar do que ela foi para mim
Tudo muito rápido, um dia e meio
Pesco detalhes
O crânio perfeito
A orelha perfeita
A compreensão do humor
(O senso do humor está quase extinto)
Mas não, me perco...
Também não é isso
A grande confirmação foi a do amálgama do suor
Do ar quente que embaçava vidros
A vontade que eu sentia de lamber o avesso de J.
De percorrer cada milímetro daquele corpo
Então, lembrar de J. me fez concluir algo sobre o amor:
Daquela mulher, eu chupava até o dedão sujo
O dedão sujo

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