Gatilho do pensamento:

“O amor puro é um amor morto se o amor implica uma vida amorosa, a criação de uma certa vida – assim ele não é nessa vida senão uma referência perpétua e é com relação ao resto que será preciso então se entender”.

Cadernos (1937-1939), A DESMEDIDA NA MEDIDA, Albert Camus, Editora Hedra, 2014

Daí, na trama mental, pulsou a música da Legião Urbana, por conta destes belos versos:

Quando você deixou de me amar
Aprendi a perdoar
E a pedir perdão.
(E vinte e nove anjos me saudaram
E tive vinte e nove amigos outra vez)

E lembrei do Rilke – sempre ele - quando reflete que, para que o amor aconteça entre duas pessoas, um amor bom, antes temos de estar preparados para o estado de Amor por todas as coisas.


O amor dirigido apenas aos nossos, nossos amigos, os de nosso sangue... Sempre me provocou um certo desconforto, como se existisse um grande buraco na história toda. Penso haver um problema essencial quando amo efusivamente alguém, mas sou incapaz do mínimo afeto por desconhecidos. Concordo com o Camus, o grande lance, quando o amor se torna uma referência perpétua, solidificada ao nosso lado, o grande lance é conseguir se acertar com o resto! 

Na música, o Renato Russo percebeu isso: perdido o ponto de referência, descobriu o perdão, que é o Amor pela humanidade.


O estado de Amor, usando uma nomenclatura do Camus, seria um sentimento “grande”. O amor que se liga a mim apenas por meio de pronomes possessivos, meu filho, minha mulher, meu sangue, seria um sentimento “pequeno”.

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