O Silêncio

Escuta, ergo minhas mãos para o ar –
escuta: há um rumor...
Cada gesto solitário, sem amor,
quantas coisas não fazem falar?
Escuta, cerro o olhar
e mesmo isso rumoreja para chegar a ti.
Meus olhos se abrem para te olhar...
... mas por que não estás aqui?

A marca do menor movimento
se grava no silêncio de cetim;
indelevelmente o menor alento
se imprime na densa cortina da distância.
Em cada arfar meu nasce uma estrela
e chega ao fim.
Em meus lábios vem beber toda fragrância,
e eu reconheço o pulsar
de anjos ao longe.
Só aquela em que eu penso: Ela
eu não posso vê-la.

Rainer Maria Rilke

Campos, Augusto de. Coisas e anjos de Rilke. 2. ed.  - São Paulo : Perspectiva, 2013.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Cap. 68 - O Jogo da Amarelinha