Aprendendo a cantar

PEITO desenhado de costelas, o respirar que as enche de vida.
Músculos como frutos maduros – nem mais, nem menos.
Não há exageros, mas a plenitude daquilo que atinge a borda do próprio limite.
Pernas que se movimentam desde as coxas.
Sentir que se tem duas pernas, sentir a existência da virilha!
Braços totais, esculpidos em madeira de lei divina.
O primoroso trabalho das articulações; cuidar para que os movimentos sejam como os passos do bailarino.

Tendões orgulhosos.
Pés robustos.
Dedos fortes galhos.

Itinerários de veias, veias saltadas; o verde que sabemos vermelho.
Pele que se abre à estação do sol: expressão do corpo que participa das mudanças que ocorrem ao redor.

Aqui e ali, ossos ligeiramente sobressalentes, aflorados, para que a gordura excessiva não embote o espírito.

Sedutora reentrância entre o ombro e o pescoço.
Como pode uma nuca suscitar a misteriosa ligação que faz o olhar seguir no encalço da mulher?

Andar altivo, porte ereto.
Rosto retilíneo, sóbrio, compreensivo, afetuoso, grave.

(O corpo que se descobre
pede pouco do Mundo
E provoca menos estragos ao redor)

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