Solidão

A solidão é como a chuva que brota
do mar para o cair da tarde;
da planície distante e remota
para o céu, que sempre a adota.
E só então recai do céu sobre a cidade.

Ela chove, entre as horas, a seu despeito,
quando todos os becos buscam a madrugada
e quando os corpos, que não encontraram nada,
quedam-se juntos, tristes e frios,
e os que se odeiam, rosto contrafeito,
têm de dormir no mesmo leito:

aí a solidão flui como os rios...

Rainer Maria Rilke

Campos, Augusto de. Coisas e anjos de Rilke. 2. ed.  - São Paulo : Perspectiva, 2013.


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