Estávamos no Chile. Após percorrer uma estrada costeira, em que parecia não existir asfalto, em que parecíamos rodar com o ônibus por sobre o mar, chegamos em uma praia. Durante o percurso, tive de acordar os outros para que vissem a beleza do espetáculo. Em uma das extremidades da praia, havia uma grande pedra. Seu lado voltado para a areia era pranchado, parecia uma grande lousa, e ela, então, avançava com suas formas naturais de pedra em direção ao mar. Uma mensagem escrita na pedra como que nos ameaçava e alertava ao mesmo tempo. Descobrimos que, muitos anos antes, um grupo havia morrido tragicamente na praia. Resolvemos ficar. Acabamos dormindo encostados na pedra e, quando acordamos, a mensagem fora substituída por outra, que nos acolhia dizendo que não precisaríamos nos preocupar. No momento em que a líamos, com a onda que morria aos nossos pés, um boto - ou golfinho - saltou em nossa direção, como se um impulso cego o tivesse arrancado indevidamente de seus percursos marítimos. Fora da água, como que preso à areia, ele não conseguia voltar ao mar. Segundos depois, no mesmo inexplicável arroubo, um pequeno e redondo peixe, escapava também do mar, terminando, em seu salto, ao lado do boto (ou golfinho). O animal maior, então, com a pequena margem de movimentação que possuía, deslocou seu corpo o suficiente para que pudesse devorar o pequeno peixe. Nós assistimos.

Comentários

Alice Choice disse…
é a natureza de todas as coisas!

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