Poema da madrugada

Voltei-me contra mim  mesmo
como com facas contra os sovacos
Rasguei o sono
Escorreram sonhos
(Eu sonhava em curso normal
mas tenho certeza
essa imagem
esse investir de facas
contra a caçapa dos braços
arrancou-me do sonho
despertou-me depois de séculos
apenas a 01h da manhã)
O tempo, essa lacraia
retira à palavra o vigor
Um novo sentimento de urgência:
limar a faca-palavra
rasgar a membrana da vida
perfurar o útero das coisas
Dizer logo a palavra certa e verdadeira
Que ousadia
Que poesia, meu Deus

 - Eu não sei onde quero chegar
Meu poema é um búfalo desgovernado
que respira saliva quente, mastiga capim
entre uma baba que prega os cantos da boca - 

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