poema 184

No interior da praça, há alguns bancos           
(daqueles compridos)
em formação de círculo
Como que isolam parte da praça
do resto dela
É horário de almoço: vários tipos de pessoas comem
pelos restaurantes; outras comem
suas marmitas
espalhadas pelas sombras
Algumas andam expansivas pelas calçadas
já bem alimentadas
e seus sons voláteis
rivalizam o dos pássaros
Cantam a melodia das decisões & dos negócios
Não circulam pela praça, pois dela não se pode dizer
que é confortável que serve bem que é bem decorada
Ou talvez não considerem que homens de sua estatura
devam circular por entre pombos & plantas
Na praça, há mais pombos do que gente; contei cinco apenas
espalhadas aqui e ali; pombos
infinitos
em seus bandos
Volto o olhar àqueles bancos em formação circular
(a praça dentro da praça)
agora ocupados
por um grupo de mulheres uniformizadas – são três delas, vestidas de uniforme
amarelo
a parte de cima; a de baixo, as calças
laranja
Estão deitadas em pose de musas renascentistas
a cabeça semi-levantada, amparada por um dos braços
Elas tomam sol
e não conversam entre si


Eu gostaria de poder pintar agora

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