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Mostrando postagens de Julho, 2013
XIV
vou moer teu cérebro. vou retalhar tuas
                      coxas imberbes & brancas.
           vou dilapidar a riqueza de tua
                      adolescência. vou queimar teus
                      olhos com ferro em brasa.
                vou incinerar teu coração de carne &
                                 de tuas cinzas vou fabricar a
                                 substância enlouquecida das
                                           cartas de amor.

poema 176

O transbordamento de um amor é a plenitude de um bom dia. E nisso estará a graça divina. A evolução do amor deve ser contida; caso contrário, transforma-se em ânsia angustiante. É tão admirável nosso esforço humano. O homem é uma tentativa admirável. Vi as entranhas expostas de um corpo de bombeiros, todo feito para permitir rápidas evacuações. Vi dependurados os uniformes prontos para serem usados, em uma espera que não se quer que termine. Meu amor repousa nas coisas distantes, nas bandeiras que tremulam ao vento indiferente. Meu repouso reside na eternidade da matéria. Assisto aos homens com um olhar de pupilas dilatadas e daí os amo. É preciso espalhar aquilo que aprendemos. O conhecimento que aparta, as capas de ouro, não servem de nada. Na penumbra de uma pequena porta de comércio, uma velha corcunda rodeada de flores, reverberando meus passos na calçada, ergueu a cabeça. Nós nos olhamos. O mundo vê a si mesmo. Num átimo, nascemos, vivemos e morremos. Do outro lado, também há mortos. O…

poema 175

Serpenteando em linha reta portas despejam horizontes humanos apanhados por minhas pupilas (um ou outro)
Nas veias prateadas paralelas em que passamos galáxias mudas se dizem adeus e uma voz mecânica anuncia a chegada
O espaço entre as estrelas chega a ser menor que o que há entre nós

Poema em linha reta

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Capítulo 7, Jogo da Amarelinha

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Prometeu negro

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Como um Prometeu moderno, os negros do Jazz sacaram sua música de algum lugar secreto e nos entregaram de bandeja. Rasgaram o útero da coisa - com seus bisturis cirúrgicos - e o líquido amniótico da vida esparramou-se. Nós o lambemos feito cães encarniçados em nossas salas de estar, nos clubes espalhados pelas cidades, esse líquido ancestral, extraído do vácuo. Ignoramos o feto que desfila bem diante de nossos olhos, agora descoberto; infantilmente, parecemos não saber que ou a música desnuda ou obnubila, que não há meio termo. Que ou se vive no prazer fácil, na atmosfera agradável de um drinque e banalidades extasiadas, ou se percebe, de repente, que o som que esses negros promovem é a própria linguagem celular, o choque entre partículas subatômicas, o rearranjo do vazio, o esplendor do nada. Em notas frenéticas, os negros do Jazz, em uma linguagem que dispensa verbo, nos reconectam ao Verbo divino, supremo, incandescente. E não há mais negros, brancos ou amarelos. Desaparece o emissor…

CANÇÃO