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Mostrando postagens de 2013

poema 210

Entre as linhas um inseto estático fita
Seu pequeno coração pulsa guarda a vida ainda não aniquilada

poema 209

As águas de seus olhos sorvem meus medos E de partículas assim negras Surge sua força de
pantera
Imagem
“Não esperem a descrição destas paredes velhas que dr. Gouveia me aluga, sem remorsos, por cento e vinte mil-réis mensais, fora a pena de água.”

CANTO A MIM MESMO

Estão todas as verdades
À espera em todas as coisas:
Não apressam o próprio nascimento
Nem a ele se opõem;

Não carecem do fórceps do obstetra,
E para mim a menos significante
É grande como todas.
Que pode haver de maior ou menor do que um toque?

Sermões e lógicas jamais convencem;
O peso da noite cala bem mais
Fundo em minha alma.

Só o que se prova a qualquer homem ou mulher,
É o que é;

Só o que ninguém pode negar,
É o que é.

Um minuto e uma gota de mim
Tranqüilizam o meu cérebro:

Eu acredito que torrões de barro
Podem vir a ser lâmpadas e amantes;

Que um manual de manuais é a carne
De um homem ou de uma mulher;

E que num ápice ou numa flor
Está o sentimento de um pelo outro,

E hão de ramificar-se ao infinito,
A começar daí­,
Até que essa lição venha a ser de todos,
E um e todos possam nos deleitar

E nós a eles.
Walt Whitman

Poema 207

À esquerda    morcegos retalham a copa de uma árvore.    Abaixo    os passos de um menino contestam a noite.
   Um homem sobe a ladeira.
   À direita...]
Cruza imagem o branco:
   um gato.
“Concluiu-se a construção da casa nova. Julgo que não preciso descrevê-la. As partes principais apareceram ou aparecerão; o resto é dispensável e apenas pode interessar aos arquitetos, homens que provavelmente não lerão isto.”
OS PERIGOS DA DANÇA
[...]
Uma chuva de formas nascentes
restabelece o mundo dos objetos
tuas mãos chamam em vão para o coração das coisas
tuas mãos ávidas do dinheiro que compra a pureza
Tuas mãos ávidas do dinheiro que compra a beleza
hoje recolhem apenas o martírio do ar, a névoa das respirações
conserva no oco das mãos
o tempo de teu cansaço

“A PALO SECO”

Ouça o poema
I.I. Se diz a palo seco o cante sem guitarra; o cante sem; o cante; o cante sem mais nada;
se diz a palo seco a esse cante despido: ao cante que se canta sob o silêncio a pino.
I.2. O cante a palo seco é o cante mais só: é cantar num deserto devassado de sol;
é o mesmo que cantar num deserto sem sombra em que a voz só dispõe do que ela mesma ponha.
I.3. O cante a palo seco é um cante desarmado: só a lâmina da voz sem a arma do braço;
que o cante a palo seco sem tempero ou ajuda tem de abrir o silêncio com sua chama nua.
I.4. O cante a palo seco não é um cante a esmo: exige ser cantado com todo o ser aberto;
é um cante que exige o ser-se ao meio-dia, que é quando a sombra foge e não medra a magia.
2.I. O silêncio é um metal de epiderme gelada, sempre incapaz das ondas imediatas da água;
a pele do silêncio pouca coisa arrepia: o cante a palo seco de diamante precisa.
2.2. Ou o silêncio é pesado, é um líquido denso, que jamais colabora nem ajuda com ecos;
mais bem, esmaga o cante e afoga-o, se indefeso: a palo seco é um…