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Mostrando postagens de Abril, 2012
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Um conto chinês e o DNA argentino



Diverte-me imaginar que a Cortázar lhe agradaria muito esse filme. Talvez terminasse dizendo que o roteirista e o diretor formam uma boa dupla de cronópios. Veria na tela, em alguma medida, a representação de uma de suas ideias motrizes[1]: o acaso e o absurdo como engrenagens centrais de uma implacável dinâmica que desconhecemos, mas cujos efeitos sentimos e, vez ou outra, quando se abre a porta, entrevemos.
Roberto é metódico, turrão, briguento. Reúne em si uma porção de características que, se vistas isoladamente, não agradariam a ninguém, mas que, debaixo de sua pele, por algum motivo, transformam-no em um sujeito que inesperadamente cativa. Não consegue conviver com nada além de suas manias e rituais e parece resistir à vida, àquilo que ela poderia oferecer-lhe depois das 23:00h, horário em que todos os dias, rigorosamente, apaga a luz de seu abajur para dormir. Roberto, talvez, inspire ternura, por haver abdicado, com tanta obstinação, a gozar da …

poema 53

Seu cheiro é tão limpo      (atmosfera de mundo silencioso) Agarro-me a ele      (é uma lembrança de lã)
Seu cheiro é tão quente      (ele é branco, ele é nobre) Aspiro-o profundamente      (fragrância de um sorriso único)
Seu sorriso é repleto de cores      (as cores que você gosta de colecionar) Porta de entrada do seu corpo      (o que foi meu atalho no mundo)
...seu corpo...      ...primeiro círculo que me levava a você
Você que foi embora
E agora 
é este cachecol de lã

poema 52

Martela-me a ideia de que é inconcebível o fim
Assaltam-me infinitas recordações e sensações... e no balanço que a razão propõe a pele marcada acende em brasa o coração marcado apressa o passo:
Y miss you so much! i hope you are doing fine ‘cause i think of you all the time
Acabo esse poema infantil rindo um pouco, com ternura de mim mesmo por voltar à infância e ter a tola ideia de abrir as estrofes com as letras de teu nome

poema 51 ou lamento bem pessoal

A tristeza é um olhar de soslaio para a roupa estendida
A tristeza é ouvir músicas felizes e dançantes
A tristeza é bater nas paredes do sonho pedindo para acordar
A tristeza é estar na sacada e não ver estacionada na rua a Doblo
A tristeza é muitas coisas, tantas coisas...  - um cobertor que se estende por sobre o mundo
Porque o mundo não é triste Ele é doce e indiferente