Vamos jogar pingue-pongue?

Oscar Wilde diz: "Não sou jovem o suficiente para saber tudo.". Lembrei-me dessa frase ao assistir o vídeo que registrou a reação de uma criança ao descobrir que existem casais de marido e marido. Cheguei a esse vídeo, pois me vi metido em um momento de auto-crítica, de rever posicionamentos. Conclui que o inglês estava certo: não sou mais criança para saber de algumas coisas. Mas posso aprender!

Talvez muitas verdades estejam nas crianças, porque elas as mereçam mais do que nós, adultos inseguros que dependemos tanto de um punhado de convicções para construir o chão em que pisamos. E que ninguém as arranhe. 

Como reage o menino? Com espanto, claro. Casais de marido (meninos) e esposa (mulheres) é o que ele mais vê. Além disso, o natural é que o macho procure a fêmea em qualquer espécie. Talvez esse dado genético também se manifeste na reação do garoto.

O espanto é a reação natural do ser humano àquilo que é diferente - diferente enquanto, simplesmente, aquilo que não acontece com tanta frequência. O problema, portanto, não é o espanto em si mesmo. E esse é o engano que aprisiona os radicais de ambos os lados: tanto aqueles que querem abolir o espanto, exigindo uma aceitação fria, passiva e mentirosa, quanto aqueles outros, que trazem o espanto para casa, alimentam-o e o integram no conjunto de verdades que os tranquiliza a existência.

Pois bem, o menino se espanta. Fica confuso. Faz cara de nojo quando conclui que os dois maridos se amam! Mas logo em seguida sente vontade de jogar pingue-pongue e diz que eles, os dois maridos, podem acompanhá-lo, se quiserem. Na criança, o afeto também se manifesta mais livremente, porque amar também é o natural em nossa espécie. O garotinho deixa o espanto ir embora, passar livremente. Talvez depois, no dia seguinte à festinha, lembre-se apenas que jogou pingue-pongue com dois maridos que se amam...e que são seus dois novos amigos!



Escrevo este texto também imbuído do mais absoluto sentimento de amor... Seria um absurdo utilizar essa assunto, e o garotinho do vídeo, para provocar qualquer pessoa... Espero que, ao menos, não vejam em minhas palavras intenções belicosas. Queria que "vissem" o amor que ainda sinto, mas quanto a isso não tenho esperanças...

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