Postagens

Mostrando postagens de Dezembro, 2011

Falando de cinema em 400 palavras. Crítica: Pickpocket (O batedor de carteiras, Robert Bresson, 1959)

Imagem
Estranha história de amor! Sugerida em poucos instantes ao longo do filme. Confirmada apenas na última cena, para que se completasse depois, na cabeça ou nos sonhos do expectador. E não é isso que torna um filme, ou livro, em matéria viva, mais do que simples lazer que se esgota tão logo termina? No filme de Robert Bresson, há um aspirante a Raskólnikov, personagem principal do livro “Crime e Castigo”, o batedor de carteiras Michael. Sua primeira tentativa, que abre o filme, quase o atira de pronto à cadeia. É preso, mas logo liberado. Não havia nada em seus bolsos. Apenas o dinheiro surrupiado de uma senhora na confusão de uma plateia de hipódromo. No dia seguinte, vai visitar a mãe e a descobre doente, assistida por uma jovem vizinha, Jeanne. Mas não entra. Por algum motivo, decide não vê-la. Parado diante da porta, apenas entrega o dinheiro. “Você não vai entrar? Não vai lhe dar um beijo? Não, ele não vai. “Até logo,  Jeanne”.
A suspeita faz com que a polícia siga em seu em encalço…
Imagem
“Até amanhã”.
Ouvia ainda ressoar em sua cabeça a frase que acabara de ser dita pela velha caseira que os visitara. Ou já se passara algum tempo? Não estava certo. Olhou ao redor e não encontrou sua mulher. Com um pouco de esforço, podia ouvi-la movimentando-se na cama. Sim, talvez ele estivesse ali, mergulhado em seus pensamentos, há um bom tempo; suficiente para que sua mulher retornasse à leitura do romance, interrompida pela inesperada aparição. A frase pairava solitária em sua lembrança; um tênue fio que o ligava ao tempo imediatamente anterior.
Mas talvez, se se detivesse um pouco mais na única frase que permanecera gravada em sua memória – dita em tom seco e definitivo e que o marcara como ferro quente em boi - poderia recobrar o que acontecera. Não que se interessasse pelo que ocorrera, que decerto não possuiria nada de especial. Constantemente, via-se perdido no tempo, perdido entre o tempo: de uma conversa e outra, de um episódio e outro. Sentia-se sempre fora da trama que …
Imagem

poema 48