exercício literário – tentativa de retratar o instante

Eu havia acabado de me sentar e era questão de segundos até que as portas fechassem e o metrô arrancasse. Um sorriso planando a uma altura incomum despertou a atenção de meus olhos apáticos que apenas por costume olhavam para a multidão que se espalhava pelo corredor que separa as duas plataformas opostas. O menino era trazido na horizontal, pelas mãos de sua mãe. Fez-me pensar em um pequeno super-herói que voava ou um pequeno filhote de boto que estivesse nadando. Estava em verdadeiro êxtase! Logo que nos encontramos – por algum motivo nossos olhos se encontraram como dois imãs que se atraem - sorri-lhe de volta, agradecendo-lhe pela bela imagem que ele era, pelo ânimo e alegria que me infundira. Mas logo em seguida, interpôs-se entre o menino e eu uma coluna de sei que lá, afinal, infelizmente, o metrô não é todo de vidro, o que seria algo extraordinário, é preciso dizer. Mas como o passarinho voava pelos braços de sua mãe, logo o vi de volta novamente e aconteceu aquilo que é tão típico em uma criança: um sorriso que parecia ter atingido seu limite multiplicou-se por dez! E assim nos despedimos.

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