poema 40

De que cor é o amarelo?

a-ma-re-lo?

Estou num daqueles dias
em que as palavras
parecem haver se descolado
daquilo que representam

(um post-it que despencou!)

Fico um tanto preocupado
e tento resgatar o significado

Repito pra mim, feito um tresloucado:

amarelo, amarelo, amarelo, amarelo
amarelo

amarelo

amarelo, amarelo, amarelo, amarelo
amarelo

amarelo

Até que de repente, páro
- ainda mais preocupado
porque de tanto repetir, mais a desgasto
e a palavra me parece capaz de ser qualquer coisa!

Será que amarelo não é o meu nome?
Uma bebida exótica vinda da África?
Plantinha que tenho aqui no banheiro?

Será que amarelo não é aquilo que sinto por você, meu amor?

Ah!, amarelo, amarelo, amarelo, onde é que você foi parar?
Porque a minha memória ainda insiste que você é uma cor

Cor?
Cor?
Cor, cor, cor, cor, cor
Cor, cor, cor, cor, cor, cor, cor!!!

Meu Deus, começo a ficar desesperado
Será que fui contaminado por uma doença incurável?

Desolado, ando pelos cantos
Espremo a testa com as mãos
E, cambaleando, termino na sacada do apartamento


Quando olho para cima, tudo volta ao seu lugar!
Sem qualquer reflexão, toma-me por completo
a força de um magnânimo SOL

Eis aí o amarelo!
Eis aí a bela cor!

Comentários

acho que vai ficar boa comuns acordes em cima.... jah tentou?
bernardo.vianna disse…
muito bom, Diogo! fazia tempo q eu não visitava seu blog... bacana reencontrá-lo!

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