poema 39

dentro do vagão do metrô,
reparo em um homem ao meu lado

mais baixo do que eu,
vejo-o de cima

tem olhos apenas para seu celular touchscreen
navega concentrado pelo facebook

funny, penso comigo
há tantas caras por aqui mesmo!

mas ele quer as de seu livro
as caras de SEUS amigos
ele quer aquilo que é seu
ele quer a si mesmo

e essas caras desconhecidas?
por que é tão difícil olhar para elas?
por que não uma nova amizade?

- ainda que uma amizade entre estações
- ainda que uma amizade silenciosa
- ainda que uma amizade entre olhares 
que simplesmente se reconhecem

e dizem:

somos humanos,
somos iguais
estamos tão cansados:
hoje é sexta-feira!


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