Postagens

Mostrando postagens de 2011

Falando de cinema em 400 palavras. Crítica: Pickpocket (O batedor de carteiras, Robert Bresson, 1959)

Imagem
Estranha história de amor! Sugerida em poucos instantes ao longo do filme. Confirmada apenas na última cena, para que se completasse depois, na cabeça ou nos sonhos do expectador. E não é isso que torna um filme, ou livro, em matéria viva, mais do que simples lazer que se esgota tão logo termina? No filme de Robert Bresson, há um aspirante a Raskólnikov, personagem principal do livro “Crime e Castigo”, o batedor de carteiras Michael. Sua primeira tentativa, que abre o filme, quase o atira de pronto à cadeia. É preso, mas logo liberado. Não havia nada em seus bolsos. Apenas o dinheiro surrupiado de uma senhora na confusão de uma plateia de hipódromo. No dia seguinte, vai visitar a mãe e a descobre doente, assistida por uma jovem vizinha, Jeanne. Mas não entra. Por algum motivo, decide não vê-la. Parado diante da porta, apenas entrega o dinheiro. “Você não vai entrar? Não vai lhe dar um beijo? Não, ele não vai. “Até logo,  Jeanne”.
A suspeita faz com que a polícia siga em seu em encalço…
Imagem
“Até amanhã”.
Ouvia ainda ressoar em sua cabeça a frase que acabara de ser dita pela velha caseira que os visitara. Ou já se passara algum tempo? Não estava certo. Olhou ao redor e não encontrou sua mulher. Com um pouco de esforço, podia ouvi-la movimentando-se na cama. Sim, talvez ele estivesse ali, mergulhado em seus pensamentos, há um bom tempo; suficiente para que sua mulher retornasse à leitura do romance, interrompida pela inesperada aparição. A frase pairava solitária em sua lembrança; um tênue fio que o ligava ao tempo imediatamente anterior.
Mas talvez, se se detivesse um pouco mais na única frase que permanecera gravada em sua memória – dita em tom seco e definitivo e que o marcara como ferro quente em boi - poderia recobrar o que acontecera. Não que se interessasse pelo que ocorrera, que decerto não possuiria nada de especial. Constantemente, via-se perdido no tempo, perdido entre o tempo: de uma conversa e outra, de um episódio e outro. Sentia-se sempre fora da trama que …
Imagem

poema 48

poema 47

Mesmo com todas as razões para
terminar

O coração palpita acelerado:
quer pular do peito
correr pra lhe encontrar

poema 46

Congelou-me as lágrimas
o estranho inverno que me tomou a alma

Para fora, estou duro
seco 
e forte

Mas para dentro 
não sou nada além 
da saudade de você
Como poderei falar de você, menino?
         Já o havia visto antes, quando estivera na igreja próxima de minha casa, para fazer uma pergunta ao padre. Andava refletindo sobre estas palavras de Mateus: “Eu, porém, vos digo que não resistais ao mal; mas, se qualquer te bater na face direita, oferece-lhe também a outra.”
         Imaginava que fosse comum que na Igreja se recebessem pessoas que desejassem conversar com o padre, tirar dúvidas. Mas o meu pedido foi recebido com surpresa. Uma surpresa alegre, devo dizer, pois as senhoras que me receberam demonstraram vivo entusiasmo e me arrastando pelos braços saíram à procura do padre.
         O menino vinha sempre atrás. Não era menino pelo tamanho que tinha e a idade que certamente deveria possuir. Mas tal era a inocência de seu olhar, a aparente ausência de pensamentos por detrás de sua cara, que me dominou completamente a atenção, não conseguia tirar os olhos dele. Imaginei que sofresse de algum atraso mental e que muito provavelmente …

Que belíssimo dia, Cronópio!

Imagem

Poema 45