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Mostrando postagens de Junho, 2010

poema 30

What are we doing?










But
On the other hand

What could we do anyway?

Cap. 68 - O Jogo da Amarelinha

Sim, as coisas estão aí, todas postas. Se há alguma margem de invenção, é na linguagem que mora.

Julito, que proeza, che! Usar a linguagem para superá-la. Jogar a casquinha fora e cutucar direto com o dedo nossos sentidos. E senti tudo o que você disse sem precisar entender nada. E acreditem: eu estava diante de um livro, de um maremoto de letras, que me disse mais ou menos isso:

No mesmo instante em que ele lhe amarrava e anulava o pensamento, ela lhe dava o sexo e ambos caíam em lamentos de suor, em gestos gentis na forma e selvagens na força, em movimentos involuntários exasperantes. De cada vez que procurava tocar pelas bordas os anéis dos seios, ele emaranhava-se num prazer queixoso e tinha de transportar-se de cara para o centro dela, sentido como se, pouco a pouco, suas narinas se aprofundassem explorando, se fossem entrando apertadamente, como se mais do que apenas duas, até ficar estendido como a mandrágora na qual se tivesse deixado cair duas ou três gotas de sangue. E, apesar…
...é um silêncio que são meus olhos que sentem. Porque ouço o som das coisas, notadamente dos carros e das gentes. Mas, por hora, não estou participando e, por isso, tudo tem algo de silencioso, de miragem; de sonho, por assim dizer...

Cap. 8 – O Jogo da Amarelinha

Se nossa tristeza fosse como a dos peixes, Maga, Horário...seria tão mais simples e menos mesquinho. Porque nossa consciência exige muito mais do que um simples reflexo. Desejamos um espelho que possua outro formato de cabelo, outros traços, outros seios, outro sexo. Nossa paz exige um testemunho. Nosso frágil contentamento vem do abraçar vazios de carne e osso. Que bela e comovente tentativa é o ser humano, che.

Você tem razão, Julio: é preciso desalojar conceitos, arrancar muitas das etiquetas que nos pregaram na inteligência, desfazer os nós que prendem nossos sentidos. Criar metáforas, forjar a própria linguagem, alimentar a inteligência com imagens, sons, cheiros. “Pássaros quietos em seu ar redondo”. Deixar um pouco de tentar compreender e avançar entre analogias, tateando, enxergando no escuro. Porque é noite.

poema 29

Você foi como sal
primavera traiçoeira
minha terra semeou

poema 28

Que fiquei para depois
eu percebi só mesmo muito
tarde

Quando a fruta
já caia do seu galho
e a folha
já secava ali no chão

Cap. 74 - O Jogo da Amarelinha

O.K. Mas é preciso partir da premissa de que somente aquele que nunca ler qualquer das notas de Morelli, compreenderá (sentirá?) verdadeiramente seu inconformista. Haveria que coincidir com o esse sujeito sem o saber. Isso, para mim, está claro. Aquele que o lê, infalivelmente ocupa as zonas intermediárias do espírito humano, justamente das quais ele, o inconformista morelliano, desdenha. E é justamente este o pacto (Julio, em outro momento, em outro livro, chamará de biombo colocado entre), a perversa aliança que se estabelece entre Morelli (Cortázar ou qualquer outro) e seus leitores (eu ou vocês): ambos se odeiam, porém se necessitam para que existam. Superando-se todas essas considerações que, se insistidas, me farão parar por aqui mesmo e também dar de ombros (tal qual o inconformista), me pergunto avidamente: para quem ele (eu, eu, eu, eu e eu!) escreve? Sim, porque depois de ler todas as notas, terminei com a impressão de que do inconformista morelliano (do próprio Morelli e, e…