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Mostrando postagens de Maio, 2010

pensamentos desordenados 1

Voltando para casa, sentia-me tão próximo das coisas. Às vezes, me acontece de sentir-me estranhamente próximo de tudo. Olhava para trás e era como se as casas me estivessem perseguindo. Mesmo os prédios mais distantes pareciam ao alcance de meus dedos. Inferno; pensei em tantas coisas enquanto voltava caminhando, que me imaginava enchendo páginas e páginas. Para a sorte do branco, praticamente todos os meus pensamentos já se escaparam, somaram-se à grande nuvem do esquecimento. Talvez o medo que senti de minhas perseguidoras tenha me infundido um temor que apagou tudo.

Comprei um livro hoje e já nas primeiras páginas, uma frase que me fez fechá-lo de medo: “Morte é isto: esquecimento em olhos que olham”. Eu já passei por isso, mas só agora, lendo essas palavras, me dei conta. Se duvidar, é essa espécie de morte que sinto quando ela me olha, mas que se confunde com uma cãibra no estômago. Porque eu sei que ela já não se lembra de mim, embora me chame vez ou outra. Mas se eu mesmo já me…

Cap. 81 - O Jogo da Amarelinha

Por quê? Porque nesses casos tentamos agarrar pelo rabo, ao contrário de tentar meter em nossos livros de história? A verdadeira crença é aquela que ri de si mesma, ou chora, porém que nunca se acredita? Assumir que a única possibilidade está no esbarrão, nos acidentes de percurso, no rabo que se tem provisoriamente entre os dedos, na mulher que se tem momentaneamente ao lado. Pro-cu-rar: palavra por demais enfática que parece pedir uma lanterna para iluminar um caminho (e não possuo lanterna alguma e desconheço qualquer caminho). A única coisa que conheço, e que se diga bem, empiricamente (porque me sinto coçar ou com vontade de urinar ou de fazer amor) sou eu mesmo. Não preciso procurar porque já me tenho em minhas próprias mãos. Mas daí...

poema 27

Não quero saber
quem
ou o que você é

(saber é desejar apropriar-se de mentiras)

Quero você em potência
sua forma
seus gestos e acidentes

Quero você,
Maga.

poema 25

Nossa felicidade não tem preço
- é uma poesia
- é feita de palavras

Essas coisas bobas
que nascem de graça
de dentro do peito
ou debaixo da escada