Considerações de catraca de metrô


No começo não reparei muito na multidão que passava. Imaginei que seria divertidíssimo se colocassem, diante das catracas, uma daquelas fileiras de cadeiras coladas umas nas outras. Umas pessoas sentadas, comendo pipocas e jogando conversa fora. Dei risada. Depois, minha atenção se voltou para um casal que se despedia antes dela cruzar para ir embora. Pareciam apaixonados; ele a envolvia toda com seus braços. O sorriso havia se congelado na boca dele, esticava-se de orelha a orelha. Mesmo quando se separaram, e ela passou para o meu lado, dirigindo-se à escada rolante que levava à rua, continuaram se olhando. Ela, que subia, agachou-se para que o olhar ainda os unisse. Coisa estranha: assim que ela finalmente desapareceu do nosso raio de visão, imediatamente me virei a ele e pude ver o seu sorriso se desfazendo mais rápido do que um relâmpago. Senti-me triste na mesma hora. Pensei que a felicidade deveria durar mais, resistir um pouco antes de ir embora. Em seguida, notei um par de braços que roubaram minha atenção. Eram belos braços femininos, exatamente da espessura que me agrada, finos, porém torneados, quase gregos. Por fim, você chegou, perguntando por que eu parecia tão aéreo. Eu achei graça, escapou-me um sorriso e eu lhe contei todas essas coisas. Você achou divertido, exceto pela parte dos braços da garota, e disse que era por todas essas coisas que gostava tanto de mim. Eu respondi que também adorava seus braços e fomos embora pra casa.

Comentários

o sorriso dele se desfez...o dela eu tenho certeza que continuou por um bom tempo estampado na cara!
bjs

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