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Mostrando postagens de Março, 2010

Considerações de catraca de metrô

No começo não reparei muito na multidão que passava. Imaginei que seria divertidíssimo se colocassem, diante das catracas, uma daquelas fileiras de cadeiras coladas umas nas outras. Umas pessoas sentadas, comendo pipocas e jogando conversa fora. Dei risada. Depois, minha atenção se voltou para um casal que se despedia antes dela cruzar para ir embora. Pareciam apaixonados; ele a envolvia toda com seus braços. O sorriso havia se congelado na boca dele, esticava-se de orelha a orelha. Mesmo quando se separaram, e ela passou para o meu lado, dirigindo-se à escada rolante que levava à rua, continuaram se olhando. Ela, que subia, agachou-se para que o olhar ainda os unisse. Coisa estranha: assim que ela finalmente desapareceu do nosso raio de visão, imediatamente me virei a ele e pude ver o seu sorriso se desfazendo mais rápido do que um relâmpago. Senti-me triste na mesma hora. Pensei que a felicidade deveria durar mais, resistir um pouco antes de ir embora. Em seguida, notei um par de br…

pensamento de um Karamázov

Um segundo atrás, eu daria de bom grado um prato de comida à velha decrépita que me cruzou enquanto eu jantava na taverna. Senti, até mesmo, uma leve cortina de água se formando por sobre meus olhos; Agora, com o mesmo prazer, enxotaria essas crianças sujas que se amontoam ao meu lado, comandadas por sua mãe desdentada. A menor delas se afastou correndo ao ver-me rangendo os dentes em sua direção. Em nenhum dos dois momentos fui abordado. Concluí placidamente minha refeição. Paguei a conta e tomei o rumo de casa.
...A vida é um erro corrigido pelo tempo...