obituário 1

Ele se resfriava facilmente, sentia dores com frequência, sem nunca ter conseguido precisar bem aonde. Lia muitos romances e dizia que se tivesse vivido no começo do século XVIII, teriam diagnosticado que sofria de “doença dos nervos”, recomendando repouso absoluto e perpétuo. Tinha convicção de que morreria de alguma grave doença. Talvez por isso, tenha adotado um tom grave e austero desde muito cedo. Não queria ser pego de surpresa e lhe apavorava mais do que qualquer coisa que dissessem em seu velório algo como “coitado, se até ontem estava tão bem!”. Bem nunca esteve e não queria que a morte simplificasse tudo dessa maneira tão cruel e cômica. No final das contas, lhe aconteceu da maneira que ele certamente julgaria a pior. Ontem, dia 05.02.2010, foi à festa de aniversário de seu melhor amigo. Os testemunhos dizem que bebeu, dançou e se divertiu especialmente. Foi um dos últimos a sair, já trôpego pelas muitas doses de uísque. Não foi muito longe, pois, poucos quilômetros de onde estava, capotou o carro em uma via expressa. Quando chegaram os bombeiros, já estava morto. No velório, só se ouvia que aquilo era uma pena, que era tão jovem, que havia se divertido tanto na festa.

Comentários

.luísa pollo disse…
brás cubas era o seu nome.

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