poema 22

Faço rimas sem sentido
apenas para agradar os ouvidos
porque me interessam apenas os ruídos
os sussurros
e os gemidos

Há muito tempo não tento entrar em acordo com minha inteligência



Pois é, o Beckett já dizia: não culpem as palavras; elas não são mais vazias do que aquilo que carregam. Mas a gente não aprende e sempre está atrás do tal do “sentido”. “Que será que ele quis dizer?”, pergunta o ávido aprendiz. Eu pergunto outra coisa: será que ele quis dizer algo? Parto da experiência própria de meus rabiscos. Na maioria das vezes, eu REALMENTE não quis, não quero, não quererei dizer nada! As palavras transam entre si, trançam, formam frases gostosas, sonoras, e uma coisa puxa a outra... até que se tem um maldito TEXTO, ou conto, ou romance, etc. Chame do que quiser, tanto faz. Mas acontece que o indivíduo não se satisfaz, não é mesmo? E vem e volta com a história do sentido, do conteúdo. Por que tanta exigência das palavras? Alguém pergunta para o Maestro de uma Sinfônica o que ele está querendo dizer? Já viu alguém, ouvindo o Miles, começar a coçar a cabeça e fazer a mesma pergunta? Não! O cara desfruta em silêncio, goza sem o peso da necessidade de um fundamento; um prazer sensitivo que se traduz em um significado interior, individual. Olha, eu não quero, nem posso, falar muito: pelo simples fato de justapor palavras eu me contradigo, né? É que às vezes fico pensando que deveríamos ler um texto da mesma forma que fazemos com as conchas, sabe, aquelas de praia?, da mesma maneira que botamos uma dessas bem pertinho do ouvido para poder escutar o som do mar, com a consciência da distância que nos separa dele.

Comentários

Márcia disse…
ainda acredito q poemas renascem sentimentos esquecidos.
Jim Pistols disse…
gostei! Me lembra a cena de um filme... algo como a devoção de um homem à tua amada, um cena de banheiro... não consigo lembrar...

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