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Mostrando postagens de Janeiro, 2010

poema 22

Faço rimas sem sentido
apenas para agradar os ouvidos
porque me interessam apenas os ruídos
os sussurros
e os gemidos

Há muito tempo não tento entrar em acordo com minha inteligência



Pois é, o Beckett já dizia: não culpem as palavras; elas não são mais vazias do que aquilo que carregam. Mas a gente não aprende e sempre está atrás do tal do “sentido”. “Que será que ele quis dizer?”, pergunta o ávido aprendiz. Eu pergunto outra coisa: será que ele quis dizer algo? Parto da experiência própria de meus rabiscos. Na maioria das vezes, eu REALMENTE não quis, não quero, não quererei dizer nada! As palavras transam entre si, trançam, formam frases gostosas, sonoras, e uma coisa puxa a outra... até que se tem um maldito TEXTO, ou conto, ou romance, etc. Chame do que quiser, tanto faz. Mas acontece que o indivíduo não se satisfaz, não é mesmo? E vem e volta com a história do sentido, do conteúdo. Por que tanta exigência das palavras? Alguém pergunta para o Maestro de uma Sinfônica o que ele está quer…

Suicídio no metrô

A estação era daquelas em que os trens que fazem os sentidos opostos da linha correm paralelamente, de modo que se é possível visualizar a plataforma contrária bem diante de si. Separadas por dois corredores de trilhos, pessoas que se dirigem a galáxias distintas (leste-oeste, Vila Madalena-Paraíso) e que nunca se cruzarão em circunstâncias normais do tipo: Marina e Paulo se conheceram na sala 2-A da escola de inglês em que estudam, quase ao lado da casa de ambos, e de tantos cafés no intervalo, um dia se falaram. Não, para as do metrô há apenas o contato de uma coincidência de horários. Uma coincidência, na maioria das vezes, sem a menor chance de vencer a pressa da garota que notou o olhar do rapaz (que notou o olhar da garota) andando na contramão do túnel que ambos percorriam. Tudo acontece em questão de segundos, ainda que segundos que se colam às horas que vêm depois, porque se não como explicar, três dias depois, lembrar-se dela, enquanto calmamente se mistura o açúcar no café …

poema 21

quero que saiba:

seu nome foi escrito nas areias de uma praia
recém desperta
mas, segundos depois,
apagado pelas primeiras ondas da manhã

(será essa a medida do amor, da vida, de todas as coisas?)