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Mostrando postagens de Novembro, 2009

poema 19

A minha sabedoria
tem cor de melaço
biquinhos durinhos
cabelos em cacho

A minha sabedoria
não se escreve
não se lê
não serve pra eles
e nem pra você

A minha sabedoria
me olha de um jeito
sabe do que eu gosto:
carinhos no peito

Sabedoria minha!
Nunca se vá
Não quero mais saber
da ignorância do beabá

poema 18

Ela disse:

- Meus seios não são brinquedos.

Ele respondeu:

- Como não? Se me diverti tanto com eles...
- Você acredita em amores à primeira vista?

- Claro que sim. Impossíveis são os outros.

(extraído e adaptado do conto "O Avião da Bela Adormecida", de Gabriel García Márquez)
...às vezes, a gente recebe uma rosa da vida. e a agarramos com tanta euforia, tamanha pressa e posse, que nos picamos em algum dos espinhos. com o tempo, ou em segundos, as flores perdem a cor, morrem, ou percebemos que já não estão no vaso da sala. mas continuamos sangrando, fica a marca, e dura a vida inteira. às vezes...

poema 17 ou tristeza em alguns atos

Tudo que está ao meu redor
acontece distante de mim.

Sinto-me esvaziar permanentemente
e daqui a pouco
não sobrará mais nada além de
pocinhas das letras que formavam teoremas.

Minhas soluções são como cometas:
passam ao largo de mim
e duram intervalos de segundos.

Moro na superfície de um olhar
que não penetra a fundo em nada.
Tudo que desejo se transforma em suspiro antes mesmo.
ao amigo marcus, desejando-lhe exatamente o contrário daqui

poema 16

sujeira bailarinacaminha livre pelo chão
o vento
pode levá-la
a qualquer

direção
desfaz-se sem dar explicaçãoacabou-se: era só ilusão.

poema 15

Rosa muerta

Sin cualquier
Soplo de vida

Sostiene

Únicamente

Sus pétalos
Resequidos

Belleza mórbida
Rojo-marrón

poema 14

Céu laranja

Céu escuro

Sol se indo

Sol se foi

poema 13

ando pelos lados


ando pelos cantos

apenas nos pêlos me acho


apenas nos pêlos me encontro