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Mostrando postagens de Julho, 2009

poema 4

tirado de uma notícia de jornal; uma homenagem a Manuel Bandeira

O britânico Steve Smtih
e a espanhola Carmen Ruiz-Perez,
conheceram-se quando tinham 17 anos
mas romperam

Anos depois,
Smith enviou uma carta pedindo o reencontro
mas ela se perdeu atrás de uma `
[lareira

Ao ler a carta
finalmente
Carmen procurou Smith
e eles se casaram
na sexta

Dois homens diante

Propus-me escrever algo sério. Pedi o café, ativei as dobras da testa e fiz a cara. Sobre dois homens desconhecidos um do outro e a necessidade que um deles sentiu de conciliar-se com o outro. Que a princípio lhe parecera repugnante e de modos vulgares. Falava alto e gesticulava muito: havia duas pessoas em sua mesa que pareciam simplesmente assisti-lo. Seguramente existia uma relação hierárquica entre eles, o que fez crescer a raiva. Por que já o odiava tanto? As chances do mundo dependiam do seu secreto acerto com aquele homem. Não que fosse levantar e falar-lhe. Mas precisava acreditar e encontrar em si a possibilidade de que se entendessem, por mais que nunca viessem a se conhecer. Por que, se não, como acreditar que... De repente, foi interrompido por um antigo e recorrente pensamento. Quando nu, em geral se preparando para o banho, nosso homem se intrigava com o dedão de seu pé. Dependendo de qual olhasse primeiro, poderia ser o direito ou o esquerdo, não importava. Ambos eram g…

O quase-eu

Este sou o quase-eu em um dia chuvoso. E não importa se é manhã, tarde ou noite. Importa que gotas a escorrer-lhe por nossas caras, misturando-se ao suor de uma corrida sem fim e sem passos. Como tudo é água, ninguém o nota. Mas nós (mais ele do que eu) sabemos os becos visitados, as mulheres violadas e os sonhos corrompidos por lágrimas de sal. E ainda que a tinta seja de uma única cor, o ranço está lá, nas dobras do cabelo do quase-eu; aqui, em nosso olhar deliberadamente perdido, buscando desconhecidas alianças com tudo aquilo que ignoramos. O quase-eu tem o privilégio do silêncio, da impossibilidade da voz, e isso é tanto. Aí está nossa diferença porque eu tenho o dom da mentira e me transformo constantemente em um embuste. O quase-eu resguarda para nós as verdades adiadas. Nossos pecados permanecem escondidos nas entrelinhas do que nunca será escrito ou dito. O veneno aguarda tranqüilo nas gotas azuis de minha caneta e nas canções entoadas para o sono de todos.

Um samba em homenagem

- Ei, me diga algo que eu possa fazer para me divertir, sem sair de casa...

- Lave a louça ouvindo James Brown, e não se esqueça da dançar bem os copos.

Respostas possíveis e suas conseqüências:

- Louça?! Argh...

(garotinha Beverly Hills; descartada sumariamente)

- Quem é James Brown?

(se for bonitinha, ganhará uma chance; ensinar para ela quem é James Brown poderá ser interessante...)

- Hum, a louça está limpa. Vale sujá-la ouvindo James Brown?

(atenção: essa garota merece muita atenção; possibilidade de grandes improvisos na cozinha; pena que seis anos, pena que...)