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Mostrando postagens de Maio, 2009
- "Acho que está faltando algo..."
- "Mas sempre está", respondeu Dario, tentando disfarçar sua prepotência de metafísica.
- “Não, não é isso... Quer dizer, sempre faltará algo em tudo, claro, mas aqui ainda parece faltar algo do possível, quero dizer, do que poderia estar aqui”.
- “Entendo...”
- “Mas eu acho que está bom... digo, as cores, realmente está muito bem pintado.”
- (Dario sorri sem mostrar os dentes, com o olhar fixo no olho esquerdo de seu amigo colorido).
- "Besteira, agora não adianta elogiar. E ligue o som. Coltrane, sim. Penso e pinto melhor ouvido jazz, você sabe."
- (Leila se dirige ao quarto à procura do show de Viena, 1977: de quebra, o piano de Monk.)
- "Mas me diga: agora resolveu pintar pessoas? Que aconteceu com suas naturezas mortas? Resolveu finalmente enterrá-las?", e pôde rir porque Dario não a via.
- (Dario de imediato vai até a porta do quarto e a espera encontrar o disco. Ascende um cigarro: o ruído metálico de seu isqueir…

poema 2

- ela
tão bonita ao lado
dele
linda como um de seus
belos versos de
poeta

- ele
servia tão bem ao lado
dela
evocava, em sua condição de poeta
a força criadora de sua fulgurante
beleza

convergiam feito dois riachos a um
mar

o verso serve ao poeta
o homem serve à mulher

separados são tão pobres
separados, resta-lhes a companhia de seus corações
mesquinhos
e a consciência pesada da frenética busca por
espelhos