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Mostrando postagens de Abril, 2009

poema 1

Cansado de ser humano
Preciso de uns dias de pedra
Umas férias em granito

Ser apenas rigidez
Sem espaço para dúvidas,
Angústias
Sem vãos para que as saudades
Se metam a devorar por dentro

E aí está: não quero ter dentro,
Não quero ser fora

Quero uma unidade cinza
Um silêncio sem ecos
Uma imagem sem reflexos

Ser, apenas
E não aspirar a...
Sonhar com...
Desejar que...

- Tudo isso tão pesado

Porque eu serei pedra-leve
Encontrada pelas mãos do menino
Que me atirará ao lago
E seguirá seu caminho

Verde

- Eu preciso te falar uma coisa.

(o livro de biologia foi pressionado contra os seios; as costas se apertaram mais forte contra o assento: ela era mais jovem)

- Que?

- Quando você entrou na Brigadeiro, juro que não imaginei que algo fosse acontecer. Eu estava me divertindo com uma tira da Mafalda. Mas então uma risada (veja, a culpa foi da própria) me arrancou do jornal, me botou novamente no vagão e me atirou a você.

- Você se sentou sem pressa, sentou-se para esperar. Eu tinha algum tempo para pensar e a Trianon-Masp passou direto.

- Veio a Consolação, o entra-e-sai, e por alguns instantes, pensei que você tinha descido. Mas não: sua cabeça estava tombada em direção ao vidro, amparada pela mão. Me pareceu que você viria até o final da linha, como eu.

- Nas Clínicas, eu já tinha gostado dos seus olhos, do seu sorriso. Especialmente, tinha me encantando por sua forma de sorrir: você baixa a cabeça em direção ao queixo; sua franja, que já sabe de tudo, fecha as cortinas e, a menos que se pre…