A associação do oriente médio ocupava um velho prédio em uma rua repleta de lojas de quadros. Havia também uma charutaria naquela rua. Pela vitrine, vi alguns velhos bem vestidos fumando seus cubanos, observados, do alto de uma das paredes, por um retrato de Castro também fumando um charuto. Talvez todos eles fumassem o mesmo charuto. Talvez todos eles fosse os mesmos merdas.
Já no prédio, fui procurar meu contato. John me disse para aprontar-me e começar a preparar as bebidas e as comidas. Aparentemente eu não teria muito trabalho. Não haveria muita gente. Eu deveria apenas garantir que todos pudessem beber o máximo de vinho e whisky, enquanto se empanturravam de aperitivos. Depois haveria alguma espécie de apresentação. John tentou explicar-me do que se tratava, mas eu não lhe dei muita atenção. Estava preocupado se sobraria algo para comer. Pela quantidade de comida que vi, imaginei que não.
As pessoas começaram a chegar e meu trabalhou começou. Todos me tratavam muito bem. Agradeciam-me mais de uma vez pelo mesmo copo de vinho ou whisky servido. Faziam até mesmo perguntas pessoais e pareciam de fato interessados pelas respostas que eu lhes dava. Nas outras festas que eu trabalhara nem se quer me olhavam.
Quando a apresentação começou, entendi do que se tratava aquela festa. Recolher fundos para algum tipo de projeto no Iraque. Uma mulher falava enquanto alguém exibia fotos em um telão. Crianças subnutridas, velhos, mulheres. Todos pareciam realmente comovidos por aquelas cenas enquanto beberricavam e comiam. Mesmo assim, a atenção logo começou a voltar-se para o bar, para mim. O discurso continuava e os copos esvaziavam. As fotos já não prendiam mais tanto a atenção. Terminado o discurso e a exibição das fotos eu tive muito trabalho.
Na saída, quase todos me saudavam e sorriam. Talvez para eles eu também fosse uma daquelas fotografias.

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