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ALGUM LUGAR

Resolvi, eu
encontrei em minha vida
um centro e o finquei.
É a casa,
árvores além, um limite
de vista que a contorna.
O tempo
chega só como algum
vento, um pouco suspiro
amortecido. E
se a vida não fosse ?
quando algo estava para
acontecer, se eu o
tivesse fincado,
tivesse, insistente.
Nada existe que eu seja,
nada não. Um entre
lugar, eu sou. Sou
mais do que idéia, me-
nos do que idéia. Uma casa,
ventos, mas uma distância
- algo solto no vento,
sentindo o tempo como aquela vida,
anda para as luzes que ele deixou.
How i wish To continue loving you I pick out from my memory The best picture of you That i can: your sleepy and wrinkled face.
Imagem
I loved you in the morning, our kisses deep and warm
Your hair upon the pillow like a sleepy golden storm
Yes, many loved before us, I know that we are not new
In city and in forest, they smiled like me and you
But now it's come to distances and both of us must try Your eyes are soft with sorrow
Hey, that's no way to say goodbye I'm not looking for another as I wander in my time
Walk me to the corner, our steps will always rhyme
You know my love goes with you as your love stays with me
It's just the way it changes like the shoreline and the sea
But let's not talk of love or chains and things we can't untie Your eyes are soft with sorrow
Hey, that's no way to say goodbye I loved you in the morning, our kisses deep and warm
Your hair upon the pillow like a sleepy golden storm
Yes, many loved before us, I know that we are not new
In city and in forest they smiled like me and you
But let's not talk of love or chains and things we can't untie Your eyes are soft with …
Já teve a palavra a aptidão almejada? Como comunicar-se entre morais obnubilantes?
Sem a dúvida de si e do argumento, não há terreno limpo para que a inteligência germine a compreensão e o entendimento.
Entre tantas certezas e atributos de personalidade com esmero entronados, reina [sob o simulacro da tolerância a mais atroz violência e ignorância.
CALÍGULA – Cherea, acreditas que dois homens cuja alma e cuja altivez sejam iguais possam, ao menos uma vez na vida, abrir o coração e falar como se estivessem nus um diante do outro, despojados dos preconceitos, dos interesses particulares e das mentiras em que vivem?
CHEREA – Penso que é possível, Caius. Mas julgo-te incapaz de o fazer.
CALÍGULA – Tens razão. Só queria saber se pensavas como eu. Cubramo-nos então de máscaras. Utilizemos as nossas mentiras. Falemos como quem se bate, sempre em guarda. Por que é que não gostas de mim, Cherea?
CHEREA – Porque em ti não há nada de que se possa gostar. Porque estas coisas não se controlam. E também, porque te compreendo o bastante para não te amar, e porque se não pode gostar, noutrem, daquilo que recalcamos em nós.
CALÍGULA – Porquê odiares-me?
CHEREA – Nisso, enganas-te, Caius. Não te odeio. Apenas te julgo prejudicial e cruel, egoísta e vaidoso. Mas não te posso odiar porque sei que és infeliz. E não te posso desprezar porque sei que não é…

Assim que eu me levanto

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Assim que eu me levanto (às quatro e meia, cinco horas), pego minha tigela na mesa da cozinha. Coloquei-a na véspera, para não mexer muito na cozinha, para reduzir o ruído de meus movimentos.
Continuo fazendo assim, dia após dia, menos por hábito do que para recusar a morte de um hábito. Ficar em silêncio não tem mais a menor importância.
Ponho um fundo de café em pó, da marca Z A M A filtro, que compro em grandes vidros de 200 gramas no supermercado FRANPRIX , em frente ao metrô Saint-Paul. Pelo mesmo peso, ele custa quase um terço a menos do que as marcas mais conhecidas, Nescafé, ou Maxwell. O próprio gosto é claramente um terço pior do que o do nescafé mais grosseiro não liofilizado, que já não é lá essas coisas.
Encho minha tigela na torneira de água quente da pia.
Levo lentamente a tigela para a mesa, segurando-a entre minhas mãos que tremem o menos possível, e sento-me na cadeira da cozinha, de costas para a janela, em frente à geladeira e à porta, em frente ao sofá…
O sol se põe sob a porta.
Com toda a evidência algo se acaba mas como saber o quê? se fosse o dia seria simples, mas de uma simplicidade exterior, só implicado gestos : a lâmpada, o fechar das portas, a cama.
Não pode ser isso.
Procuro um índice no sol, na poça de sol posto diante da porta, que já se agita, se retira.
Morrer? não creio. morrer além disso não seria um acabamento. pelo menos para mim.
Algo que está no fim, bem próximo, ao sol posto sob a porta, não conseguiria saber o quê.
Não tentarei sabê-lo. o sol apagado, a noite prevenida de seu fim, eu me levantarei, fecharei as portas, as lâmpadas, a cama.
Houve um tempo em que eu não teria deixado perder-se o sentido de nenhum fim interior. eu teria ficado na noite, nas mãos na noite, as palavras.
Agora, está vindo um fim, renuncio.


jacques roubaud. algo : preto.